O que é Multiômica e por que ela está transformando a saúde personalizada?
- 12 de jan.
- 3 min de leitura
Por Bianca Sagiorato, Biotecnologista 12/01/2026.

Durante muitos anos, a genética foi vista como um “manual fixo” do nosso organismo. Hoje, a ciência avançou e entende que a saúde e a doença não são determinadas por um único nível biológico, mas sim pela interação dinâmica entre múltiplas camadas do funcionamento humano. É exatamente nesse contexto que surge o conceito de multiômica.
A multiômica é a integração de diferentes camadas de informação biológica — como genética, epigenética, metabolômica, microbioma e fatores ambientais — para compreender de forma mais completa como o organismo funciona, adoece e responde a intervenções. Estudos científicos mostram que a análise isolada de apenas uma dessas camadas é limitada para explicar fenótipos complexos, enquanto a integração entre elas permite uma visão muito mais fiel da realidade biológica
Por que olhar apenas para um “ômico” não é suficiente?
A genética indica predisposições, mas não explica sozinha:
por que pessoas com o mesmo risco genético evoluem de formas diferentes
por que mudanças de estilo de vida alteram desfechos clínicos
por que respostas a medicamentos variam tanto entre indivíduos
Isso acontece porque o DNA é apenas o ponto de partida. A forma como esses genes são regulados, expressos, modulados pelo ambiente, pelo metabolismo, pela microbiota intestinal e pelo uso de medicamentos é o que define o resultado final no organismo. A multiômica surge justamente para conectar essas camadas, permitindo decisões mais precisas e personalizadas.
As Camadas da Integração Biológica
Para que a medicina de precisão seja efetiva, é necessário orquestrar diferentes níveis de análise:
Genômica estrutural: A base de tudo. Avalia variantes germinativas associadas ao metabolismo, riscos de saúde e características hereditárias. É o mapa sobre o qual as demais camadas atuam.
Interação gene-ambiente: A integração de escores de risco poligênico (PRS-E) com fatores de estilo de vida demonstra como hábitos, nutrição e atividade física podem atenuar ou exacerbar riscos genéticos herdados.
Farmacogenética: Conecta a variabilidade genética à resposta medicamentosa, elucidando como polimorfismos influenciam a absorção, metabolização e excreção de fármacos, reduzindo a iatrogenia e a tentativa e erro.
Epigenética: Revela como o ambiente "liga ou desliga" a expressão gênica, principalmente através de padrões de metilação do DNA. É a interface molecular onde estresse, envelhecimento e nutrição deixam suas marcas no genoma.
Metabolômica e Microbiômica: Refletem o estado funcional em tempo real. O microbioma atua como um órgão metabólico auxiliar, influenciando respostas inflamatórias e digestivas que, somadas ao perfil metabólico, oferecem uma "fotografia" do funcionamento atual do organismo.
O grande valor da multiômica para profissionais de saúde
Ao integrar essas camadas, a multiômica permite:
compreensão mais precisa da origem dos sintomas
estratificação de risco mais realista
condutas personalizadas e baseadas em dados
maior engajamento e adesão do paciente
monitoramento contínuo e ajuste de estratégias ao longo do tempo
Em vez de respostas genéricas, o profissional passa a trabalhar com biologia aplicada, conectando predisposição, ambiente e comportamento em um único raciocínio clínico.
Multiômica como caminho para a medicina de precisão
A ciência já demonstrou que doenças complexas exigem abordagens integradas, e a multiômica representa exatamente esse avanço. Ao traduzir esse conceito em exames acessíveis e integráveis, a DNA Club permite que profissionais de saúde saiam do modelo fragmentado e avancem para uma medicina verdadeiramente personalizada, preventiva e orientada por dados.
Referências
CHEN, C. et al. Applications of multi-omics analysis in human diseases. MedComm, v. 4, n. 4, p. e315, 1 ago. 2023.
M. MADAN BABU; SNYDER, M. Multi-Omics Profiling for Health. Molecular & Cellular Proteomics, v. 22, n. 6, p. 100561–100561, 1 jun. 2023.
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