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Genética Forense: Recuperação de perfis genéticos em vestígios e amostras degradadas

Por Dra. Gabriela Bonfá, 19/12/2025


O DNA (Ácido Desoxirribonucleico) é a molécula responsável por armazenar todas as informações biológicas necessárias para o desenvolvimento, funcionamento e características de um organismo, seja ele humano, animal, vegetal ou microbiano. Sua estrutura altamente organizada, em forma de dupla hélice, é composta por unidades chamadas nucleotídeos. Essas unidades se organizam em sequências específicas que codificam proteínas e regulam processos celulares fundamentais.


A arquitetura dessa molécula foi descrita por Watson e Crick em 1953 (WATSON & CRICK, 1953) e, desde então, o DNA passou a ser reconhecido como o principal marcador de identidade biológica. Isso porque a combinação de suas sequências é única para cada indivíduo, com exceção de gêmeos idênticos.


Por estar distribuído amplamente no organismo e presente no núcleo da maioria das células humanas, o DNA pode ser isolado de diversos tipos de amostras biológicas, incluindo aquelas degradadas ou obtidas em condições ambientais desfavoráveis. Sua estrutura química estável, somada ao fato de que mesmo pequenas frações de material celular contêm múltiplas cópias da molécula, permite a recuperação e amplificação de regiões específicas do genoma. Essa característica é essencial em análises forenses e investigativas, nas quais a disponibilidade de material é frequentemente limitada (BUTLER, 2005; BUKYYA et al., 2021; HADDRILL, 2021; MANJUNATHANET et al., 2024).


Para fins de identificação, no entanto, apenas a recuperação do DNA não é suficiente. É preciso buscar regiões do genoma que diferem significativamente de um indivíduo para outro. Entre os marcadores mais importantes para essa finalidade, encontram-se os STRs (Short Tandem Repeats). Esses pequenos segmentos, formados por repetições curtas e consecutivas, variam significativamente entre os indivíduos, funcionando como uma “impressão digital molecular” (BUTLER, 2011). Essa diversidade torna possível estabelecer identidades genéticas com elevado poder de discriminação, sendo a base para testes de parentesco, investigações criminais, identificação de restos mortais e análises comparativas de vestígios (HADDRILL,2021).


A DNA Consult Genética e Biotecnologia é um dos poucos laboratórios no país especializados na extração e análise de DNA a partir de praticamente qualquer tipo de amostra biológica, abrangendo organismos distintos, múltiplos tipos de tecido e variados estados de conservação. Aplicamos esses conceitos no cotidiano, lidando com a diversidade e a complexidade das amostras reais que chegam para análise. Ao longo dos anos, já extraímos DNA de matrizes extremamente variadas, incluindo impressões digitais deixadas em superfícies de vidro, telas de celular manipuladas, canudos e copos utilizados, tecidos contendo pequenas áreas de sangue, peças íntimas com fluidos corporais, escovas de dente, fios de cabelo com bulbo capilar, restos mortais, mancha de sangue em cena de crime, células epiteliais encontradas em gola de camisa, bituca de cigarro, corpo carbonizado, absorvente higiênico, entre muitos outros. Esses exemplos ilustram não apenas a versatilidade das técnicas de extração, mas também a capacidade da biologia molecular moderna de recuperar material genético mesmo em vestígios mínimos ou degradados.


Nossa equipe técnica também possui experiência direta em investigação forense. Profissionais do laboratório já atuaram como peritos criminais em diversos casos, contribuindo para a identificação de vítimas, a individualização de suspeitos e a elucidação de crimes. Essa vivência prática fortalece nossa expertise e garante uma abordagem criteriosa na interpretação de resultados, especialmente em amostras sensíveis ou de alta relevância jurídica.

Independentemente do tipo de amostra ou do objetivo da análise, nosso compromisso é transformar vestígios biológicos, muitas vezes invisíveis a olho nu, em respostas científicas sólidas, baseadas em evidências e em protocolos reconhecidos internacionalmente. Trabalhamos para entregar resultados seguros, precisos e tecnicamente robustos, conduzindo cada etapa com responsabilidade, rigor e dedicação.


Referências

  • ABEBE, B.; MITIKU, T.; BIRHANE, N. Advancements in Forensic DNA Analysis: Challenges and Future Directions in Molecular Biology. Biomedical Sciences, v. 10, n. 3, p. 51-61, 2024.

  • BUKYYA, Jaya Lakshmi et al. DNA profiling in forensic science: a review. Global medical genetics, v. 8, n. 04, p. 135-143, 2021.

  • BUTLER, J. M. Forensic DNA typing. Biology, technology and genetics of STR markers. Elsevier Academic Press, 2005.

  • BUTLER, J. M. Advanced topics in forensic DNA typing: methodology. San Diego: Academic Press, 2011.

  • HADDRILL, Penelope R. Developments in forensic DNA analysis. Emerging topics in life sciences, v. 5, n. 3, p. 381-393, 2021.

  • MANJUNATHAN, Kangan et al. Quantification of DNA, in dried blood, saliva tinged with blood in comparision with fresh blood for forensic identification-A pilot study. Journal of Oral and Maxillofacial Pathology, v. 28, n. 4, p. 725-730, 2024.

  • WATSON, James D.; CRICK, Francis HC. Molecular structure of nucleic acids: a structure for deoxyribose nucleic acid. Nature, v. 171, n. 4356, p. 737-738, 1953.

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