Genômica do Sars-CoV-2, o vírus causador da CoviD-19

Genômica do Sars-CoV-2, o vírus causador da CoviD-19

CoviD-19

Tornou-se rotineiro em pesquisas na saúde humana relacionar o genoma individual com diferentes condições. No caso da CoviD-19 não é diferente.

Existem variações no genoma de um indivíduo para outro, um tipo de variação comum é o SNP (Single Nucleotide Polymorphism).

O genoma humano é um conjunto completo de ácido desoxirribonucleico (DNA), que contém as instruções genéticas necessárias para desenvolver e direcionar as atividades do organismo. As moléculas de DNA são feitas de duas fitas torcidas e emparelhadas. Cada fita é feita de quatro unidades químicas, chamadas bases de nucleotídeos: adenina (A), timina (T), guanina (G) e citosina (C).

O genoma humano contém aproximadamente 3 bilhões desses pares de bases, que residem nos 23 pares de cromossomos dentro do núcleo de todas as nossas células. Cada cromossomo contém centenas de milhares de genes que carregam as instruções para produzir proteínas. Cada um dos 30.000 genes estimados no genoma humano faz uma média de três proteínas.

As proteínas que constituem os tecidos do organismo, as enzimas e que regulam todas as funções do metabolismo e são codificadas pelo DNA, ou seja, a informação para a síntese dessas proteínas está contida no DNA. Diferenças sutis no DNA causam diferenças nas proteínas.

Assim como temos as faces diferentes uns dos outros, características fisiológicas e metabólicas de nosso organismo também são diferentes. Estas diferenças são baseadas, em parte pelo fato de, cerca de 1 em cada 1.000 bases do DNA há um polimorfismo com pelo menos duas possibilidades de letras, por exemplo A ou C, G ou T. Estes polimorfismos são denominados SNP’s (Polimorfismo de Nucleotídeo Único) e existem milhões de SNP’s no genoma.

Um estudo publicado recentemente no New England Journal of Medicine (17 de junho de 2020, DOI: 10.1056 / NEJMoa2020283) analisou 8.582.968 SNP’s do genoma humano em 1.980 pacientes com Covid-19 grave (definida como insuficiência respiratória) e 3.815 indivíduos controle da Itália e Espanha.

Os resultados das análises estatísticas significantes indicam a existência de associações dos SNP’s rs11385942 e com rs657152 com insuficiência respiratória na síndrome respiratória aguda grave causada pelo SARS-CoV-2.

Tais resultados confirmam a suscetibilidade genética em pacientes com Covid-19 com insuficiência respiratória e do sistema de grupos sanguíneos ABO. O grupo sanguíneo “A” mostrou um risco maior do que outros grupos sanguíneos (odds ratio, 1,45; IC 95%, 1,20 a 1,75; P = 1,48 × 10-4); e a existência de efeito protetor no grupo sanguíneo “O”, em comparação com outros grupos sanguíneos (odds ratio, 0,65; IC 95%, 0,53 a 0,79; P = 1,06 × 10-5 ). As estatísticas resumidas de genoma destas análises estão disponíveis ao público (www.c19-genetics.eu), dados submetidos ao Instituto Europeu de Bioinformática ( www.ebi.ac.uk/gwas; números de acesso, GCST90000255 e GCST90000256).

Neste caso é melhor ser do grupo sanguíneo “O”, que tem efeito protetor contra a insuficiência respiratória na CoviD-19.